PCHs reúnem os três atributos essenciais do novo setor elétrico: “energia, potência e flexibilidade”, diz diretor da Aneel

Diretor da Aneel, Gentil Nogueira, fala sobre os atributos das PCHs e CGHs para o setor elétrico, durante a 9ª Conferência Nacional de PCHs e CGHs, da Abrapch

Durante a Conferência, Gentil Nogueira, da Aneel, afirmou que as PCHs têm geração firme, potência e flexibilidade para suprir o setor elétrico com eficiência. (Crédito: Abrapch)


Durante a 9ª Conferência Nacional de PCHs e CGHs, realizada em Foz do Iguaçu (PR), o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Gentil Nogueira, fez uma defesa técnica das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e centrais geradoras hidrelétricas (CGHs). Ele afirmou que elas reúnem os três atributos considerados imprescindíveis para o futuro do setor elétrico brasileiro: geração de energia, potência e flexibilidade.

A declaração ocorre em um momento de forte expansão das fontes intermitentes, como solar e eólica, e de discussão sobre como precificar corretamente os serviços prestados por cada tecnologia à matriz elétrica.

“Hoje é muito claro que nós temos três atributos importantes no setor elétrico: a geração de energia; a potência, que é a capacidade de entregar o máximo em determinado momento do dia; e a flexibilidade, que é a capacidade de variar num curto espaço de tempo a produção de energia. As PCHs, assim como as grandes hidrelétricas, são as únicas que reúnem essas três características de forma coordenada”, afirmou Nogueira.

PCHs: energia, potência e flexibilidade

A fala do diretor da Aneel toca em um debate técnico que vem ganhando espaço no setor: o de que comparar fontes apenas pelo preço médio do megawatt-hora pode ser insuficiente.

Energia é o volume total produzido ao longo do tempo. Potência é a capacidade de entregar carga máxima quando o sistema precisa, no horário de pico da noite (ou, na “rampa” de energia do sistema). Já flexibilidade é a capacidade de aumentar ou reduzir rapidamente a geração para acompanhar oscilações da demanda. Ou compensar quedas na produção solar e eólica (quando não há sol ou vento).

Nesse contexto, as PCHs, por operarem com reservatórios e controle hidráulico, conseguem modular a produção ao longo do dia, algo que fontes intermitentes não conseguem fazer sem apoio de armazenamento.

“O futuro do setor elétrico no Brasil e no mundo vai trazer muitas oportunidades para fontes que consigam atender essas mudanças na demanda”, disse o diretor.

Leilão reforça aquecimento do setor

A defesa dos atributos das PCHs ocorre após a realização de um leilão considerado bem-sucedido pelo governo federal e pelo setor.

“A primeira coisa é que ficamos muito felizes com a realização desse leilão. O ministro Alexandre Silveira cuidou pessoalmente da estruturação. A Aneel realizou o leilão, e foi um sucesso, com empreendimentos contratados em diversas regiões do país”, afirmou Nogueira.

Segundo ele, o resultado positivo contribuiu para que o Congresso Nacional recepcionasse a ideia de estruturar novos leilões específicos para PCHs. As entregas destes leilões são previstas para 2032, 2033 e 2034.

O Ministério de Minas e Energia trabalha agora na elaboração das portarias de diretrizes e sistemática que permitirão à Aneel organizar os próximos certames. Eles devem ocorrer possivelmente já no segundo semestre deste ano. São leilões aguardados e que aqueceram não só a 9ª Conferência, mas o mercado elétrico de PCHs e CGHs como um todo 

Precificação da energia: desafio técnico e social

Outro ponto sensível discutido na conferência foi a precificação da energia. O tema é central para empreendedores de PCHs e CGHs, que defendem maior reconhecimento econômico dos atributos entregues ao sistema. Para Nogueira, a questão é mais complexa do que aparenta.

“No mercado livre, precisamos melhorar as ferramentas de precificação no longo prazo para dar mais previsibilidade ao setor”, explicou.

Já no mercado regulado, onde os consumidores pagam tarifas definidas pela Aneel, o debate envolve impactos sociais. A adoção de tarifas horárias, com preços mais altos nos horários de pico e mais baixos nos horários de menor demanda, pode beneficiar projetos capazes de modular geração ao longo do dia.

“Parece simples colocar tarifa horária. Mas isso pode trazer impactos tarifários entre consumidores. A Aneel precisa observar não só os benefícios para uma fonte que entrega flexibilidade, mas também o quanto isso representa para consumidores de baixa renda”, afirmou.

O desafio, segundo ele, é equilibrar sinal econômico adequado ao investimento sem pressionar excessivamente a conta de luz de segmentos vulneráveis.

Setor em transformação

A fala do diretor da Aneel reforça ainda uma mudança estrutural no debate energético brasileiro. Ele fala da transição que deixa de ser apenas sobre volume de geração e passa a incorporar qualidade da entrega.

Em um sistema cada vez mais dependente de fontes intermitentes, a discussão sobre potência e flexibilidade tende a ganhar protagonismo em 2026. Dentro de um cenário de expansão regulatória e expectativa de crescimento, as pequenas hidrelétricas buscam se posicionar como parte estratégica dessa solução.

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