
Legenda: Arena Técnica valorizou a discussão de desafios operacionais, regulatórios, financeiros e ambientais das PCHs. (Crédito: Abrapch)
A Arena Técnica da 9ª Conferência Nacional de PCHs e CGHs da ABRAPCH consolidou-se como o espaço mais estratégico do evento para discutir, de forma objetiva e aplicada, os desafios operacionais, regulatórios, financeiros e ambientais das pequenas centrais hidrelétricas no Brasil. Realizada no dia 25 de fevereiro, em Foz do Iguaçu, a programação reuniu empresas, consultorias, advogados, engenheiros e especialistas que atuam diretamente na estruturação, implantação e operação de empreendimentos hidrelétricos de até 50 MW.
Se nos painéis principais o debate foi voltado à política energética e ao papel das PCHs na matriz elétrica brasileira, na Arena Técnica o foco esteve nas soluções concretas para tirar projetos do papel, reduzir riscos e aumentar competitividade.
Eficiência operacional e gestão estratégica de usinas
A Tradener, representada por Rogério Pizeta, abordou o tema “Autoprodução e Gestão de Usinas: Eficiência, Segurança e Resultados ao Gerador”, destacando estratégias para maximização de performance e otimização de resultados.
Já a Rennosonic, com Caio Zarconi, apresentou atualizações sobre o Sistema de Monitoramento de Integridade (SMI), reforçando a adequação à RN ANEEL nº 1.085 após a implantação de 50 usinas.
A Rijeza, por meio de Darlan Geremia, tratou da gestão do desgaste em hidrelétricas, demonstrando como a engenharia de superfícies contribui para o aumento da disponibilidade operacional.
Conexão ao SIN e estruturação financeira
A Connect, com Manoel Lopes, destacou a importância dos estudos de pré-projeto da Linha de Transmissão (LT) na definição do ponto de conexão da PCH ao Sistema Interligado Nacional (SIN), evidenciando impactos técnicos e econômicos dessa etapa.
Na área financeira, a Tria Energia, representada por Heloy Rudge, apresentou soluções de antecipação de recebíveis por meio da comercialização de energia futura, ferramenta que vem sendo utilizada para otimização da estrutura de capital e adequação financeira de projetos.
Custos, mercado e competitividade das PCHs
A Lummi Energia, com Daniel Faller, analisou a escalada de custos das PCHs nos últimos anos. A apresentação destacou fatores como pressão inflacionária, variação cambial e alta das commodities, especialmente aço, cobre e cimento, e apresentou práticas de gestão eficiente de obras para manter competitividade.
Licenciamento ambiental e segurança jurídica
O licenciamento ambiental foi um dos temas centrais da Arena Técnica. A Cia Ambiental, com Pedro Dias, apresentou uma plataforma tecnológica de gestão ambiental em tempo real (CIAP), voltada à prevenção de riscos e à tomada de decisões estratégicas durante a execução das obras.
A Ambientare, representada por Rhuâna Nascimento e Marcos Vilela, destacou o uso de geotecnologia para otimização de programas de monitoramento ambiental, promovendo previsibilidade e redução de esforços operacionais.
No campo jurídico, a Coli Advocacia, com Yara Donda, abordou a Consulta Livre, Prévia e Informada (Convenção 169 da OIT), enfatizando a previsibilidade de riscos e oportunidades como acesso a financiamento com melhores condições.
A Ricardo Carneiro Advogados Associados analisou os impactos da Lei nº 15.190/2025 no licenciamento ambiental de PCHs, ressaltando avanços na uniformização normativa, mas também desafios estruturais na gestão pública.
Já o escritório Cortez Pimentel & Melcop Advogados apresentou reflexões sobre as recentes alterações regulatórias e seus impactos nas PCHs, com foco na modernização do setor elétrico e na integração com a política nacional de recursos hídricos.
Modernização e potencial das usinas existentes
A Hidroenergia, com Júlio Duarte, apresentou o case da Usina de Rasgão, evidenciando como a modernização e repotenciação de usinas centenárias podem aumentar desempenho, confiabilidade e potência instalada. O tema reforçou o potencial estratégico da modernização de ativos existentes como vetor de expansão da geração hídrica no Brasil.
O CIGRE, representado por Victor, abordou o papel das usinas reversíveis como solução de armazenamento de energia para dar suporte à expansão das fontes solar e eólica. Com respaldo da Lei nº 15.269, o modelo desponta como alternativa para maior segurança energética e estabilidade do sistema.
Inteligência climática aplicada ao setor elétrico
O Simepar, com o meteorologista Marco Jusevicius, apresentou aplicações práticas da inteligência climática no setor elétrico, destacando a importância da tradução de dados meteorológicos para a tomada de decisões operacionais e estratégicas em geração e transmissão.
GSF e mecanismo concorrencial da CCEE
A FCR Law, representada por Yuri Schmitke, trouxe um panorama histórico do GSF, judicializações e os desdobramentos do mecanismo concorrencial da CCEE, ressaltando avanços na resolução de passivos para associados da ABRAPCH.
Encerrando a Arena Técnica, a Progeplan apresentou cases de CGH e PCH licenciadas em prazo recorde, defendendo uma abordagem integrada entre engenharia, meio ambiente, jurídico e estratégia de negócios como fator determinante para redução de riscos e ganho de competitividade.
Arena Técnica: conhecimento aplicado e fortalecimento do setor
A Arena Técnica da 9ª Conferência da ABRAPCH reafirmou o compromisso da entidade com o fortalecimento institucional das PCHs e CGHs no Brasil, promovendo debates qualificados sobre modernização e repotenciação, licenciamento ambiental, segurança jurídica, inteligência climática, estruturação financeira, eficiência operacional e inovação tecnológica.
Ao reunir empresas, especialistas e lideranças do setor elétrico, o espaço consolidou-se como ambiente estratégico para disseminação de conhecimento técnico, atualização regulatória e desenvolvimento sustentável da geração hídrica de pequeno porte.




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