ABRAPCH COMEMORA AVANÇOS CONQUISTADOS EM 2025 E DEFENDE NOVOS INVESTIMENTOS EM HIDRELÉTRICAS COM RESERVATÓRIOS


Fonte: Petronotícias

A Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidrelétricas (Abrapch) está celebrando os avanços conquistados ao longo de 2025. Um dos principais foi a realização do leilão de energia nova A-5, que terminou com a contratação de mais de 800 MW de PCHs e CGHs. Além disso, outro grande feito foi a inclusão, na lei da reforma do setor elétrico (15.269/2025), de mais um leilão de reserva de capacidade de 3 GW para as pequenas hidelétricas. Para a presidente da associação, Alessandra Torres, o ano de 2025 foi muito positivo, mas ainda é preciso avançar mais. “Quando falamos de hidrelétricas, o impacto vai muito além da geração: envolve o uso múltiplo da água e a gestão de recursos hídricos. É uma fonte estratégica e incomparável. Por isso, o tema hidrelétrico precisa fazer parte de um plano de governo”, avaliou. A dirigente também considera que o Brasil não pode abrir mão das hidrelétricas com reservatórios. “Com as mudanças climáticas, o Brasil não pode abrir mão de novas hidrelétricas de todos os portes, com reservatórios compatíveis”, destacou Alessandra. “As previsões apontam para grandes chuvas no Sul do país. Deveríamos estar construindo hidrelétricas estratégicas com reservatórios na região, para armazenar essa água e usá-la nos períodos de estiagem, fazendo a sazonalidade entre bacias”, acrescentou. Este e outros temas serão discutidos pela Abrapch durante a 9ª Conferência Nacional de PCHs e CGHs, o maior encontro nacional do setor de energia hídrica, que acontecerá entre 24 e 26 de fevereiro, em Foz do Iguaçu (PR).

Como o setor de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) avalia o ano de 2025, considerando as intensas transformações e debates que ocorreram no setor elétrico?

O ano de 2025 foi bem intenso e marcado por um diálogo constante e produtivo. Foi um período desafiador, no qual acompanhamos a tramitação de duas Medidas Provisórias importantes, o que nos permitiu uma interlocução muito técnica e republicana dentro do Congresso Nacional. Um ponto alto foi a discussão da lei das eólicas offshore. As PCHs foram incluídas nessa pauta e, apesar de um veto inicial, conseguimos convencer o Legislativo de que as fontes são correlatas. Para que a eólica se desenvolva, ela precisa do backup das hidrelétricas. O Congresso entendeu que o pleito era meritório e os vetos foram derrubados.

Infelizmente, apesar da vocação hídrica do Brasil, construir hidrelétricas no país hoje exige que o tema seja uma prioridade de governo. Existe uma “demonização” ambiental em torno da fonte e a sociedade, muitas vezes, desconhece o real papel das hidrelétricas na matriz. Quando falamos de hidrelétricas, o impacto vai muito além da geração: envolve o uso múltiplo da água e a gestão de recursos hídricos. É uma fonte estratégica e incomparável. Por isso que o tema hidrelétrico precisa fazer parte de um plano de governo. 

No geral, o ano de 2025 foi muito bom, especialmente pela realização do leilão de energia nova com a contratação de 815 MW de capacidade proveniente de 65 centrais hidrelétricas e PCHs até 50 MW.

Qual foi o impacto desse certame?

Esse leilão, previsto na lei da Eletrobras de 2021, foi um marco. A decisão do Ministério de Minas e Energia de realizá-lo foi corajosa e técnica. Foi a primeira vez que o nosso setor vendeu mais de 800 MW de energia, o que movimentou uma cadeia produtiva que é 100% nacional. Nas últimas duas décadas, as PCHs foram preteridas para que as fontes eólica e solar se desenvolvessem. Com o tempo, notamos o quanto o backup é fundamental para fontes intermitentes. As PCHs e CGHs precisam se desenvolver para ser o “pulmão firme” da geração distribuída solar.

Considerando os eventos climáticos extremos e crises hídricas recentes, como as usinas hidrelétricas podem auxiliar na segurança do sistema?

Não podemos abrir mão das grandes hidrelétricas, elas são imprescindíveis. Veja o exemplo de São Paulo passando por racionamento; é inadmissível. Se tivessem construído as “pequenas caixas d’água” (PCHs com reservatório) ao longo dos rios de São Paulo, como está previsto, será que o racionamento seria tão severo? Acreditamos que poderia ter sido muito amenizado. PCHs são açudes que geram energia, são reservas ao longo dos rios. Com as mudanças climáticas, o Brasil não pode abrir mão de novas hidrelétricas de todos os portes com reservatórios compatíveis.

Precisamos de reservatórios não só pelas secas, mas também pelas grandes pluviosidades. As previsões apontam para grandes chuvas no Sul do país. Deveríamos estar construindo hidrelétricas estratégicas com reservatórios na região, para armazenar essa água e usá-la nos períodos de estiagem. Foi essa a lógica que explicamos aos parlamentares no último ano. 

Sobre a reforma do setor elétrico, qual a avaliação geral sobre avanços e o que ainda falta?

Foi uma reforma importante e necessária. Discutimos isso desde a Consulta Pública 33/2017. Não foi a reforma perfeita, mas o Congresso Nacional e os relatores — o senador Eduardo Braga e o deputado Fernando Coelho — foram muito determinados. Há pontos fundamentais ali: abertura de mercado, planejamento do setor, fim de subsídios e teto para a CDE. Vemos com bons olhos. 2026 será um ano eleitoral, o que nunca é fácil, mas será focado na regulamentação dessas regras. Acreditamos muito no poder do diálogo e na capacidade da Aneel e do Ministério de Minas e Energia de fazerem uma boa regulamentação.

Agora, com a Lei 15.269/2025, vem a previsão de mais um leilão de reserva de capacidade de 3 GW para as PCHs, além de 1,9 GW para outras necessidades. O sistema de fato precisa desse backup.

O licenciamento ambiental sempre foi um gargalo para as PCHs. Como a nova lei de licenciamento altera esse cenário?

Essa lei era imprescindível para o Brasil andar, pois a regra anterior estava obsoleta. Finalmente vemos as hidrelétricas ganhando um status de prioridade, como um ativo geopolítico e estratégico. Além da segurança energética e do backup para eventos extremos, temos os usos múltiplos dos reservatórios. Lutamos muito para mostrar aos parlamentares que as hidrelétricas precisavam de uma análise prioritária ou especial.

Sobre o impacto ambiental, ele existe em tudo. Uma grande hidrelétrica desloca pessoas e isso deve ser analisado, mas todas as fontes têm impacto. A nova lei do licenciamento coloca uma lupa naquilo que é vital para o país. Para desenvolver solar, eólica e biomassa, precisaremos de mais hidrelétrica na base.

Olhando para o futuro e para o potencial brasileiro, o que podemos esperar em termos de novos projetos?

Nosso setor tem inventariado na Aneel um potencial de aproximadamente 14 GW em pequenos projetos pulverizados pelo país — é quase uma Itaipu em pequenas usinas. Algumas são de construção mais fácil, outras barram em questões ambientais ou de conexão.

O Centro-Oeste tem um potencial gigante para pequenas hidrelétricas de baixo impacto ambiental. Elas geram uma compensação ambiental enorme e melhoram drasticamente o IDH dos municípios. Além disso, a cadeia é 100% nacional; não importamos um parafuso para construir uma hidrelétrica. O sistema hoje precisa de geração firme e em horário de ponta, e as PCHs ajudam muito nisso.

Para encerrar, quais as novidades da associação e os próximos passos para 2026?

Convido todos para a 9ª Conferência Nacional de PCHs e CGHs, que este ano será em Foz do Iguaçu. Teremos três dias de evento com uma grande feira — já estamos com mais de 50 estandes vendidos. Vamos discutir a regulamentação da Lei 15.269 e a implementação do leilão de 3 GW previso na lei da reforma do setor elétrico.

Sobre os empreendimentos leiloados recentemente, o suprimento começa em 2030, mas muitos ficarão prontos bem antes, em 36 ou 40 meses, se o fluxo com os órgãos ambientais correr bem. O Brasil tem a maior expertise do mundo em engenharia de barragens, junto com a China. Já vi casos de engenheiros chineses virem buscar soluções aqui. Temos um time excelente, gerando emprego e renda no Brasil. Todas as fontes têm seu espaço — térmica, eólica, solar, biomassa — mas não podemos prescindir das hidrelétricas e de tudo o que um reservatório de água representa.

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