Potência das hidrelétricas pode baratear energia e adiar uso de baterias, diz PwC


A associação de hidrelétricas com gás natural reduz em até 9% o custo de energia firme despachável para compensar a intermitência das renováveis (firming cost, no termo em inglês), segundo levantamento da PwC. O cálculo se refere à compensação para projetos de energia solar, considerando um cenário apenas com usinas térmicas a gás, e outro cenário com térmicas a gás combinadas com hídricas. Para projetos eólicos, a redução é de cerca de 7%, indica o estudo.

Segundo a PwC, esses números indicam que o país ainda não precisa de alternativas mais caras, como armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês), e pode esperar a maturação destas tecnologias.

“As hídricas podem e devem ser uma enorme fonte de potência, e essa potência precisa ser remunerada”, avalia Daniel Martins, sócio da PwC e líder da Indústria de Energia na consultoria. “A gente [Brasil] está subutilizando um grande potencial hídrico que a gente tem”, complementa.

Para o executivo, equacionar a utilização das diversas fontes, com a remuneração pelos respectivos atributos de cada uma, é um caminho para reduzir o custo da energia no país, mantendo o perfil de baixas emissões da matriz elétrica. Outras medidas passam por revisão na ordem de mérito, realização de leilões de potência e aprimoramento do mercanismo de resposta da demanda, que pode colaborar com a gestão da carga no país.

“Não vejo necessidade ou motivo para o Brasil incentivar produção a carvão considerando todos os recursos naturais que temos. Não precisamos de usina a carvão para equacionar firming cost ou contratar mais potência”, comenta Martins, em relação à entrada de térmicas a carvão e óleo na nova minuta posta em consulta pública para o leilão de reserva de capacidade (LRCap).

Em sua avaliação, os leilões devem apresentar formatos que explorem melhor os atributos de cada fonte, de forma a gerar melhores incentivos ao sistema: “Explorar as características de cada fonte da melhor forma possível vai fazer com que os próprios empreendedores, investidores e empresas avaliem se eles conseguem extrair ainda mais desses ativos”, calcula.

Energia elétrica como impulsionador de crescimento
Daniel Martins também acredita que a matriz abundante e renovável brasileira pode abrir avenidas de crescimento para o país, que pode se tornar um “hub de descarbonização global” na medida em que apresenta condições para a instalação de indústrias verdes.

“O shale gas brasileiro é a energia elétrica, são os recursos que a gente tem em abundância”, diz o executivo, fazendo uma comparação com o gás não-convencional que revolucionou a economia de mercados como Estados Unidos e Argentina, atraindo investimentos.

Para Martins, a grande oferta de geração renovável é o que explica o país ter há décadas a maior parte de sua matriz renovável, enquanto outras nações ainda perseguem este objetivo. “Não foi porque se pensou e se escolheu esse caminho, é porque esse foi o caminho natural para o Brasil, dados os recursos que o Brasil tinha”, entende.

Competitividade comprometida
Apesar da vocação para ser um grande provedor de energia renovável, o Brasil ainda patina na competitividade em função de subsídios e encargos.

“O Levelized Cost of Energy [custo nivelado de energia, que considera investimentos e custos de operação e manutenção, sem encargos] no Brasil é muito competitivo. Só que quando você inclui impostos, encargos, custos de transmissão, distribuição, você acaba tendo um custo por MWh que não é tão competitivo como a gente gostaria que fosse”, diz. E a tendência, segundo o executivo, é de piora no quadro, com encargos cada vez mais caros.

Conteúdo e imagem por Megawhat.
https://megawhat.energy/economia-e-politica/potencia-das-hidreletricas-pode-baratear-energia-e-adiar-uso-de-baterias-diz-pwc/

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