Transição energética esbarra em alto custo para consumidores


Apesar do avanço das renováveis, país vive desequilíbrio no setor elétrico e falta de políticas públicas.

O país enfrenta desafios importantes para equilibrar a sustentabilidade com confiabilidade e custos acessíveis. Embora o país esteja produzindo cada vez mais energia limpa, o custo final para os consumidores aumentou substancialmente no mesmo período. Essa é a opinião de Ricardo Botelho, CEO do grupo Energisa.

“Isso decorre principalmente de um modelo de expansão fortemente dependente de subsídios generosos e encargos setoriais que são repassados por meio das tarifas de eletricidade.
Essencialmente, os consumidores financiaram essa expansão das energias renováveis”, explicou o executivo durante o painel “Energia multipotencial para a transição energética”, no Energy Summit 2025, nesta quarta-feira, 25 de junho, no Rio de Janeiro.

De acordo com o debate realizado entre Botelho, Vi orio Perona, Sócio do BTG, e Joaquim Levy, Diretor de Estratégia Econômica do Banco Safra, o modelo baseado em subsídios criou distorções de mercado significativas em um momento em que as tecnologias renováveis se tornaram cada vez mais competitivas em termos de custos. Painéis solares, energia eólica e biomassa tiveram reduções drásticas de custo, levantando questões sobre a necessidade contínua de subsídios tão amplos.

Os sinais distorcidos de preços levaram a uma alocação ineficiente de recursos. Em algumas regiões, particularmente no Nordeste, a produção de energia pode exceder a demanda em até 40%, com capacidade de transmissão insuficiente para distribuir esse excedente. Ao mesmo tempo, o sistema carece de fontes de energia confiáveis durante os períodos de pico de demanda.

O Brasil agora precisa abordar o que eles chamam de “trilema energético”: equilibrar sustentabilidade (fontes renováveis), segurança (confiabilidade e disponibilidade) e acessibilidade (acessibilidade e equidade).

Botelho ressaltou que, para a Energisa, a transição energética não significa substituição imediata de fontes, mas sim uma convivência equilibrada entre elas. “Defendemos a adição energética. Nenhuma fonte vai desaparecer de um dia para o outro. Precisamos caminhar para um mundo de baixo carbono, mas sem abrir mão da segurança, da sustentabilidade e da acessibilidade”, completou.

“Precisamos de políticas públicas que abordem esse desafio de forma racional e eficiente, sem adicionar custos desnecessários à sociedade”, argumenta o CEO da Energisa. “Estamos nos afastando do planejamento setorial de longo prazo, desenvolvido por especialistas, para decisões influenciadas por grupos de pressão no Congresso que podem representar interesses legítimos, mas não consideram a estrutura abrangente necessária para um planejamento energético adequado.”

Os especialistas sugerem que a instalação de data centers em regiões ricas em energia, como o Nordeste, com o apoio de fontes de energia sólidas, como o gás natural, poderia ajudar a equilibrar o sistema. No entanto, eles enfatizam que abordar questões de confiabilidade requer atenção urgente para evitar maiores desequilíbrios no promissor cenário energético do Brasil.

Conteúdo e Imagem: Canal Energia.
https://www.canalenergia.com.br/noticias/53314920/transicao-energetica-esbarra-em-alto-custo-para-consumidores

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