Segundo dia de Arena Técnica da Abrapch reúne cases práticos, inovação e soluções regulatórias para PCHs e CGHs

Palestras da Arena Técnica da Abrapch

Professor Carlos Henrique Farias dos Santos, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), mostrou quatro pesquisas genuinamente brasileiras, desenvolvidas dentro da universidade e aplicáveis ao setor de energia. (Crédito: Abrapch)


O segundo dia de Arena Técnica, da 9ª Conferência Nacional de PCHs e CGHs da Abrapch, em Foz do Iguaçu (PR), reuniu especialistas, empresas e centros de pesquisa para discutir soluções concretas voltadas a pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e centrais geradoras hidrelétricas (CGHs). O eixo comum das apresentações foi claro: como tornar os empreendimentos mais eficientes, seguros, sustentáveis e preparados para o novo cenário regulatório e de mercado.

A seguir, o resumo das palestras que movimentaram o dia.

ENERTEX apresenta playbook do investidor com 7 lições práticas

Abrindo a programação, Leandro Manfroi, da ENERTEX, apresentou o case da CGH Cachoeira Brava, estruturado como um “playbook do investidor” com sete lições práticas para o sucesso de empreendimentos.

Segundo ele, embora tenha dividido o aprendizado em sete etapas, o conceito central pode ser resumido em uma frase: “fazer bem feito, começar direito e cumprir um rito técnico”.

“O princípio é evitar erros. A gente aposta muito em bons projetos, bons conselheiros, bons consultores, bons construtores e bons equipamentos. Quando algo dá errado, normalmente falhamos em um desses pilares”, afirmou.

Finanças sustentáveis e ativo hídrico na visão da SETEG

Matheus Feldstein Haddad, da SETEG, trouxe uma abordagem estratégica sobre como transformar passivo ambiental em ativo hídrico, integrando a agenda ambiental à lógica econômica dos empreendimentos.

“A parte ambiental não pode ser vista como fim de linha ou apenas como custo. Precisamos incorporar valores não monetários, como regulação climática, ciclo da água e ciclo de carbono, dentro da conta econômica da companhia”, explicou.

Segundo ele, o conceito de finanças sustentáveis permite transformar riscos ambientais em ativos estratégicos dentro da gestão empresarial.

Mercado de energia e decisões estratégicas para 2026

Douglas Ludwig, da LUDFOR, abordou o cenário do mercado de energia e as decisões estratégicas para 2026 e 2027, especialmente para PCHs e usinas em geração distribuída (GD).

Ele destacou a oportunidade de migração para modelos de autoprodução no mercado livre. “Temos fila de clientes aguardando para alocar essa energia. O benefício pode chegar a 50 ou 60 reais por megawatt-hora”, afirmou.

Ludwig também ressaltou soluções para usinas com dificuldades na compensação de energia, incluindo a possibilidade de migração da GD para o mercado livre.

Grupo Energia destaca decisões iniciais como chave do sucesso

Francielly Richardt e Loilson Serber Vieira, do Grupo Energia, trataram dos desafios iniciais em projetos de geração e defenderam a integração entre engenharia e licenciamento ambiental como ferramenta estratégica.

“Os projetos não erram durante a execução. Eles falham nas decisões iniciais, tomadas de maneira unilateral”, afirmou Francielly.

Ela reforçou que planejamento integrado e atuação paralela entre as áreas reduzem riscos e aumentam a segurança financeira dos empreendimentos.

O papel dos túneis na viabilização de PCHs

Bruno Henrique Santos Vieira, da Pedra Branca, trouxe um novo olhar sobre o uso de túneis em projetos hidrelétricos.

“Os túneis atuam como viabilizadores de projetos em regiões complexas. Eles reduzem impacto ambiental, otimizam o circuito hidráulico e diminuem volumes de escavação e reaterro”, explicou.

Segundo ele, além dos ganhos técnicos, a solução contribui para preservação de corredores ecológicos e viabiliza áreas com grandes desafios construtivos.

WEG aposta em inovação nos perfis hidráulicos Kaplan

André Eger, da WEG, apresentou avanços no desenvolvimento e otimização de perfis hidráulicos Kaplan, com foco em inovação aplicada a pequenas centrais.

“Estamos trazendo cada vez mais conhecimento e tecnologia para dentro do Brasil. O país tem muitas instalações que precisam de modernização, e temos propostas que dialogam com o contexto atual e futuro”, afirmou.

Ele destacou ainda que a empresa também avança no desenvolvimento de novos perfis Francis e na ampliação de mercados.

COPREL integra gestão de risco, operação e comercialização

Ingridi Kremer, Eliseu Lima e Gabriel Bathú Paulus, da COPREL, apresentaram uma visão integrada da gestão de riscos, operação e comercialização de energia.

Ingridi destacou o papel da manutenção preventiva e da gestão eficiente de ativos. “Uma usina performando em 97% evita riscos e gera mais lucro ao cliente. Não é só vender energia, é garantir performance e segurança operacional”, afirmou.

O painel também abordou os riscos atuais na compra e venda de energia e a necessidade de estratégia comercial alinhada à operação.

Itaipu Parquetec leva soluções de gestão de ativos para PCHs

Guilherme Zat, do Itaipu Parquetec, apresentou soluções desenvolvidas com a Itaipu Binacional para gestão e monitoramento de ativos, como transformadores e disjuntores.

“As soluções estão validadas em uma usina de grande porte e podem ser facilmente aplicadas em PCHs e CGHs, de acordo com a necessidade de cada empreendimento”, explicou.

O foco é ampliar eficiência e segurança por meio de monitoramento inteligente.

Hydrogrid reforça importância do planejamento de despacho

Dafne Sousa, da Hydrogrid, apresentou a plataforma Hydrogrid Insight, voltada à otimização do uso da água em usinas hidrelétricas.

“O objetivo é otimizar o uso da água da forma mais inteligente possível, respeitando restrições ambientais e regulatórias, e gerar mais receita para as usinas”, afirmou.

A solução utiliza machine learning para apoiar tanto empreendimentos no mercado livre quanto no mercado regulado.

SEMI detalha aplicação prática do SMI no contexto do MRE

Adriano Gotola e Marcos C. Hunold, da SEMI, abordaram os fundamentos regulatórios do Sistema de Medição de Indisponibilidade (SMI) no contexto do MRE.

“Desenvolvemos um produto que atende à RN 1085, que substituiu a 1033, e facilita ao gerador a apuração correta da garantia física, evitando penalizações, especialmente em períodos de seca”, explicou Adriano.

A solução é automatizada, com acesso via web e dados em tempo real.

Robótica e compensador de inércia virtual

O professor Carlos Henrique Farias dos Santos, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, em parceria com a Flessak, apresentou soluções tecnológicas desenvolvidas ao longo de sete anos de pesquisa na universidade, incluindo robô de inspeção e poda automatizada próximo a linhas de distribuição. Também foram apresentados um sistema terrestre para apoio a drones em inspeções de usinas e um compensador eletromagnético de inércia virtual.

“Esse compensador utiliza um campo magnético controlado para amortecer oscilações de frequência e tensão, suprindo a falta de inércia no sistema”, explicou ele, mostrando que são soluções 100% brasileiras, provenientes de estudo e pesquisa desenvolvida pela Agência de Inovação da Unioneste, a Inova.

Vetorlog detalha novas diretrizes da RN 127

José Ferreira, da Vetorlog, analisou os impactos das novas diretrizes publicadas em outubro de 2025 para atendimento à RN 127 da ANA/ANEEL.

“Não são alterações na norma, mas inclusões que definem pontos que antes não estavam claros, como instalação de sensores. A regulamentação está ganhando corpo e ainda há mais diretrizes previstas”, destacou.

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