Brasil amplia protagonismo na geração hidrelétrica sustentável e pode mais que dobrar capacidade de PCHs e CGHs


Potencial da energia hidrelétrica é  apresentado na abertura da 9ª Conferência Nacional de PCHs e CGHs, em Foz do Iguaçu

Legenda: Mais de 900 pessoas estiveram presentes na solenidade de abertura da Conferência da Abrapch

O Brasil consolida sua posição estratégica na geração de energia limpa e renovável por meio das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs). Levantamento inédito realizado pela Associação Brasileira de PCHs e CGHs (Abrapch), junto a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), revela que o país possui potencial para mais que dobrar sua atual capacidade instalada nesse segmento nos próximos anos, com o  levantamento de 1.089 novos aproveitamentos hidrelétricos já mapeados e capacidade estimada de mais de 14.106 MW.

Atualmente o país conta com 430 empreendimentos em operação, responsáveis por uma potência instalada superior a 6.031 MW.  Somente com o Leilão de Energia realizado em 2025, estão previstas a construção de 55 novas PCHs e CGHs até 2027, que deverão acrescentar aproximadamente 738 MW ao sistema elétrico brasileiro, reforçando a segurança energética e ampliando a participação das fontes renováveis na matriz nacional.

Os números foram apresentados oficialmente nesta terça-feira, durante a abertura da 9ª Conferência Nacional de PCHs e CGHs, realizada em Foz do Iguaçu (PR), reunindo investidores, especialistas, autoridades e representantes do setor elétrico nacional.

Na abertura oficial do evento, a presidente executiva da ABRAPCH, Alessandra Torres, destacou o papel estratégico das pequenas hidrelétricas para garantir segurança energética, expansão sustentável da matriz elétrica e desenvolvimento regional.

“As PCHs e CGHs representam uma fonte renovável essencial para o país, combinando geração limpa, previsibilidade operacional e menor impacto ambiental. Além disso, o momento exige avanços regulatórios e políticas públicas capazes de ampliar investimentos e destravar novos projetos, fortalecendo a participação dessas usinas na transição energética brasileira”, completou.

A presidente enfatizou ainda que a Conferência se consolida como um dos principais fóruns nacionais de debate técnico e institucional do setor, promovendo integração entre governo, mercado e entidades representativas na construção de soluções para o crescimento sustentável da geração renovável.

Legenda: Presidente da Abrapch, Alessandra Torres de Carvalho

O presidente  do Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase), da ABIAPE (Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia) e da ANE (Academia Nacional de Engenharia), Mário Luiz Menel, lembrou que 2026 será um ano de desafios para o setor elétrico.

“Precisamos estar preparados. O nosso foco é garantir que a regulamentação do marco legal do setor elétrico seja feita de forma eficaz. É fundamental que essa regulamentação seja feita de forma a não criar obstáculos para o desenvolvimento do setor”, disse. Menel concluiu sua fala destacando a importância da colaboração e do diálogo entre as associações do setor e as autoridades responsáveis pela regulamentação, e elogiou a liderança de Alessandra Torres frente a Abrapch.

Já o diretor financeiro da Itaipu Binacional, André Pepitone, disse que as PCHs e CGHs têm potencial de capilaridade e de levar desenvolvimento e sustentabilidade para o país.

“Vivemos um momento decisivo. A transição energética se tornou realidade e as PCHs fornecem energia firme e despacháveis que mantém o sistema estável”, destacou. Lembrando a importância do Leilão A-5 de 2025 – realizado em  agosto pela ANEEL/CCEE e que  contratou energia de 55 novos empreendimentos hidrelétricos (PCHs, CGHs), com início de fornecimento em 1º de janeiro de 2030 – Pepitone disse que atualmente é fundamental garantir ao garantir a segurança ao investidor, a racionalidade tarifária e  equilibrar expansão e a estabilidade. “O setor elétrico é o vetor da economia brasileira. Essa agenda não é apenas nacional, a integração energética regional fortalece a soberania do país”, concluiu. 

Destaque para o Paraná

Legenda: O representante do governador Ratinho Júnior, secretário Rafael Greca, recebeu uma homenagem feita pela Abrapch ao Paraná.

Além dos projetos já encaminhados, o potencial de crescimento do setor é ainda mais expressivo. Entre os estados brasileiros, o Paraná se destaca como o maior polo de expansão do país, concentrando o maior potencial identificado para novos empreendimentos. Atualmente, o estado conta com 43 usinas em operação, somando cerca de 586 MW de potência instalada, além de 10 novos projetos previstos no Leilão de 2025, que devem acrescentar mais 109 MW ao sistema.

“O potencial futuro paranaense também chama atenção: são 148 novos aproveitamentos já identificados, capazes de gerar aproximadamente 1.545 MW adicionais, consolidando o estado como referência nacional na geração descentralizada, sustentável e próxima aos centros de consumo”, disse o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, representante do governador, Ratinho Junior.

Atualmente, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Paraná possui 114 PCHs e CGHs em operação. Outras cinco estão em construção, sete aguardam início de obras e 116 estão em fase de registro de intenção de outorga, além de 35 processos em estágio de estudos de inventário.

O Paraná receberá, nos próximos dois anos, investimentos que somam cerca de R$1,1 bilhão para a construção de 11 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), que irão abranger 15 municípios. Todos os empreendimentos tiveram a energia que será produzida adquirida no 39º Leilão de Energia Nova A-5, realizado em 2025 pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Atualmente, o Estado responde por cerca de 18% da energia gerada no Brasil, com 98% dessa matriz composta por fontes limpas e renováveis. 

Foz do Iguaçu

Realizada pela primeira vez em Foz do Iguaçu, a 9ª Conferência Nacional de PCHs e CGHs – que irá ocorrer entre os dias 24 e 26 de fevereiro, no Centro de Convenções –  vai debater os caminhos regulatórios, tecnológicos e econômicos para destravar investimentos e acelerar a expansão dessa fonte estratégica.

Na abertura do evento, o prefeito de Foz do Iguaçu, General Silva e Luna, colocou a cidade como  um exemplo de geração de energia elétrica limpa e renovável, sendo reconhecida internacionalmente pela força das águas e disse que a cidade fica honrada em sediar a Conferência Nacional de PCHs e CGHs.  “As PCH e CGH ocupam um espaço muito importante. A geração de energia próxima ao centro de consumo fortalece as redes locais e aumenta a resiliência do sistema”, reiterou. O prefeito concluiu sua fala desejando que o encontro seja um espaço de diálogo técnico qualificado para a construção de soluções e fortalecimento institucional, promovendo o equilíbrio regulatório, a segurança para investidores e o respeito ambiental, sempre visando o interesse público e o desenvolvimento nacional sustentável.

Autoridades presentes

A cerimônia contou com a presença de autoridades nacionais e estaduais, entre elas o secretário de Estado do Paraná, Rafael Greca, representando o governador Carlos Massa Ratinho Junior; o prefeito de Foz do Iguaçu, General Joaquim Silva e Luna; o diretor financeiro da Itaipu Binacional, André Pepitone; o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Gentil Nogueira; o presidente do Instituto Água e Terra (IAT), Everton Sousa; presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, além de representantes do Ministério de Minas e Energia, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)  e do Simepar.

O evento também reuniu lideranças das principais associações estaduais de geração hidrelétrica e entidades do setor energético, como APESC (Santa Catarina), AGPCH-RS, Sindenergia MT, Sindenergia RS, além de representantes do Fórum das Associações do Setor Elétrico (FASE), da Academia Nacional de Engenharia (ANE), da Associação Brasileira de Autoprodutores de Energia (ABIAPE), da ABRAGEL, ABRAGE, ABGD e Associação Brasileira das Mulheres da Energia, reforçando o caráter nacional e institucional da Conferência.

A ABRAPCH registrou ainda agradecimento ao patrocinadores e apoiadores responsáveis pela realização do evento, com destaque para os patrocinadores Platina — Itaipu Binacional, SEMI, Flessak, Eletrisa, Electrify, Ludfor e WEG — além das empresas patrocinadoras Ouro, Prata e instituições parceiras que apoiam o desenvolvimento do setor de pequenas hidrelétricas no Brasil.

Serviço: 9º Conferência da Abrapch 

Data: 24 a 26 de Fevereiro

Local: CECON – Centro de Convenções de Foz do Iguaçu 

25/02 – 8h às 17h  e 26/02 – 8h às 17h 

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