Impulsionadas por leilões no mercado regulado, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) puxarão o crescimento da fonte de energia hidráulica no Brasil nos
próximos anos.
As PCHs são usinas com potência instalada entre 5MW e 30MW e reservatórios de até 13km². Elas se diferenciam das centrais geradoras hidrelétricas
(CGHs), cuja potência é inferior a 5MW, e das usinas hidrelétricas (UHEs), com capacidade superior a 30MW.
Atualmente, no país, as PCHs totalizam 6GW de capacidade instalada em operação, ante 916MW de CGHs e 103GW de UHEs, segundo dados da Aneel.
A agência reguladora projeta que, entre 2026 e 2031, serão acrescentados 1.027GW em potência hidrelétrica, sendo 983MW em PCHs, 220MW em UHEs e
4MW em CGHs.
Menos complexos e com menor impacto ambiental que as UHEs, os projetos de PCHs se distribuem pelas regiões Sul, com 519MW no total, Centro-Oeste
(241MW), Sudeste (111MW), Norte (94MW) e Nordeste (17MW).
Entre as usinas programadas para começar a operar nesse período estão PCHs de grande porte, como São Paulo do Pimenta Bueno (30MW), no estado de
Rondônia, Taboca (29,8MW), em Goiás, e Espraiado (29MW), em Santa Catarina.
A Associação Brasileira de PCHs (Abrapch) prevê mais de 1GW em nova capacidade instalada nos próximos cinco anos, considerando a quantidade de
projetos com potencial de viabilização.
https://app.bnamericas.com/article/section/all/content/x08tyam-crescimento-hidreletrico-no-brasil?source=DASHBOARD 05/02/2026, 15:50
Página 1 de 3″Basta que haja precificação correta e justa da fonte pelos atributos que a PCH entrega ao sistema, pontos de escoamento disponíveis e uma força tarefa
nos órgãos ambientais no sentido de dar celeridade às análises, que têm durado anos”, disse à BNamericas a presidente da Abrapch, Alessandra Torres.
Segundo a executiva, cada 1GW viabilizado gira em torno de R$10 bilhões (US$1,9bi) em investimentos.
Ela frisou que as hidrelétricas são a melhor, mais barata e duradoura bateria existente e que o Brasil precisa urgentemente dessa tecnologia.
“As PCHs podem ajudar a modular a geração para o horário de ponta, de maior necessidade [de energia]. Temos água disponível e a melhor expertise do
mundo em engenharia de barragens. Temos de fazê-las.”
Torres explicou que a região Sul concentra o maior número de projetos inventariados por contar com mais pontos de escoamento de energia disponíveis.
Atualmente, o país enfrenta um gargalo na rede de transmissão e registra número crescente de cortes de geração (curtailment), sobretudo por conta da
forte expansão das fontes intermitentes na região Nordeste.
“Muito se fala em curtailment de eólica e solar, mas a fonte mais prejudicada em grande escala são as hidrelétricas”, afirmou a presidente da Abrapch.
Segundo uma apresentação feita recentemente pela Axia Energia à Aneel, os cortes de geração no país entre 2022 e 2024 totalizaram 98TWh, dos quais
86% corresponderam à chamada exportação de vertimento turbinável (EVT). Esse mecanismo permite comercializar o excedente de energia produzida por
usinas hidrelétricas que, de outra forma, seria desperdiçado. Tal excedente ocorre quando a usina precisa vertir (liberar) água sem passar pelas turbinas,
devido a um alto volume no reservatório e baixo consumo no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Leilões
O mercado de PCHs ganhou novo impulso no ano passado com a realização de um leilão de energia nova A-5, no qual foram contratados 65 projetos com
capacidade combinada de 816MW, atraindo R$6 bilhões em investimentos.
Além disso, duas leis aprovadas recentemente – o marco legal das eólicas offshore e o novo marco regulatório do setor elétrico (Lei 15.269) – preveem a
contratação obrigatória, via leilões, de 4,9GW de PCHs, sendo 3GW nos próximos anos e 1,9GW após 2032.
Para março, está previsto um leilão de reserva de capacidade (LRCAP), do qual poderão participar projetos de ampliação de UHEs.
“É um movimento de retomada do setor hídrico. Não podemos prescindir de novas grandes hidrelétricas por tudo o que representam de importante e
benéfico ao país, mas as usinas de pequeno porte são as que podem se viabilizar em curto e médio espaço de tempo”, defendeu Torres.
PCH em testes
Em 20 de janeiro, começou a operar em testes, em Santa Catarina, a PCH Alto Alegre, que recebeu investimento avaliado em R$93,15 milhões.
Com capacidade instalada de 17,39MW, a usina é formada por quatro unidades geradoras, três de 5,11MW e uma de 2,06MW, e possui garantia física de
8,94MW médios. A previsão é que a PCH entre em operação comercial em março de 2026.




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