Expansão acelerada da GD foi o resultado da resposta dos consumidores a subsídios concedidos no passado, mas segmento precisa participar da solução que é classificada como mais grave que o GSF.
O corte de geração de usinas centralizadas tem produzidos sobrecustos ao setor elétrico. Esse comportamento decorre da necessidade da energia hídrica e térmica para equilibrar o Sistema Interligado Nacional. O excesso de subsídios concedidos ao setor elétrico é apontado como um dos causadores dessa situação. A sobreoferta de energia limpa e problemas operacionais é o resultado desse momento de elevados níveis de curtailment.
Segundo a CEO da Elera Renováveis, Karin Lucchesi, o problema existe e está chegando a cerca de 40% da receita de geradores centralizados com investimentos recentes. Ele afirma que a crise é mais grave que a do GSF.
“Na crise do GSF as empresas tinham ativos amortizados, eram empresas grandes e o corte, a gente falava de 10% a 15%. Hoje, a gente está falando de cortes para alguns ativos de 40% a 50% sendo que são usinas recém-inauguradas que ainda têm serviço de dívida grande para ser honrado e muitos deles sem proteção judicial”, explicou a executiva após participar do Fórum Veja de Energia, em São Paulo.
Pedidos de revisão da dívida
O Banco do Nordeste do Brasil tem registrado pedidos de geradores interessados em negociar as dívidas junto à instituição financeira. Entretanto, Paulo Câmara, presidente do banco de fomento regional, afirma que a situação não pode ser classificada como sistêmica. Os pedidos têm como base o curtailment para as ações que o BNB tem tomado para evitar problemas aos geradores no Nordeste.
“Eu tenho procurado olhar o caso a caso. Não temos muitos ainda. Estamos trabalhando com as opções que a gente tem que é alongamento de prazo, repactuação, algumas mudanças da configuração da dívida”, explicou o executivo a jornalistas após sua participação no evento.
Ademais, Câmara destacou que o BNB atua com juros subsidiados. Portanto, essa condição especial com a qual o banco trabalha ajuda a não elevar o custo da dívida mesmo com a taxa Selic em 15% ao ano. A instituição pratica uma taxa que está em inflação mais 4% ao ano. “Então estamos ainda bem abaixo da Selic”, comentou. O presidente do BNB relata que os geradores eólicos é que têm procurado o banco nessa condição. Contudo, relata que ainda não são muitos casos.
Setor no radar do Senado
Paulo Pedrosa, presidente executivo da Abrace Energia, lembrou que o Senado discutirá o tema da GD nesta terça-feira, 30 de setembro. Ele ressalta que muitas associações estão com uma pauta comum: o enfrentamento à essa modalidade. Pedrosa lembrou do episódio de quase colapso do SIN em 10 de agosto, dia dos pais em decorrência da carga em nível reduzido. E apontou o que chamou de “colonização do setor elétrico por interesses específicos que não são do setor e precisam ser enfrentados”, pontuou ele.
Ele criticou ainda a transferência de custos de subsídios concedidos que acabam parando na produção de bens de consumo. Pedrosa se refere à cobrança desse valor adicional que deixa de ser pago por consumidores beneficiados para a CDE.
“Genis”
Max Xavier Lins, CEO da Delta Energia, lembra que a GD não é a vilã desse processo. A fonte já responde por 43 GW de potência instalada. Ele classifica a geração própria como a resposta a um regra imposta, resultado do estímulo aos consumidores. Contudo, ressalta que o crescimento baseado em subsídios e é a causa raiz da situação.
“O curtailment é o filho bastardo do subsídio”, comparou. “Não podemos ter Genis e jogar pedra em uma fonte. O problema é o subsídio irresponsável criado lá atrás e que agora escalou, saiu do controle”, acrescentou.
Lins defendeu que uma solução é necessária para que haja competição em condição de igualdade e sem subsídios, senão corremos o risco de ver a destruição do mercado.
Karin Lucchesi, da Elera, defende que a crise do curtailment fará com que a situação financeira fique crítica. Ela afirma que há um desafio operacional gigante com a GD ao volume de 43 GW de potência instalada. Esse montante foi adicionado ao SIN sem planejamento, situação diferente da geração centralizada.
Curva do Pato
A executiva lembra que o desafio operacional reside no fato da produção da GD deixar a rede justamente no horário de expansão do consumo ao final do dia. Assim como mostrou a reportagem do CanalEnergia sobre o Horário de Verão e sua eficácia em amortecer a chamada Curva do Pato.
“A gente precisa endereçar isso do ponto de vista técnico, entender mecanismos e ferramentas para se resolver. Eu concordo 100% que o sinal de preço seria o melhor caminho”, destacou. Entre os caminhos, ela disse que a adoção das baterias pode ajudar a operar a rede.
A executiva defende que todos os atores que participam do problema devem sim sentar à mesa de discussões, incluindo a MMGD. Se a modalidade não utilizasse o fio da distribuidora para escoar o excesso não consumido seria lógico não participar. Contudo, não é o que acontece. E, além disso, há o consumo à noite quando não há produção.
“Por mais que você tivesse o marco legal essa é uma discussão regulatória. [O excesso] levou para um caminho que causou um problema sistêmico e que precisa ser endereçado. Tem a lei, mas não é proibido em nenhum momento que você tivesse sinais de preço adequados”, finalizou.
Conteúdo e imagem por Canal Energia.
https://www.canalenergia.com.br/noticias/53325192/subsidios-levaram-ao-descontrole-da-expansao-afirmam-agentes




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