Corte da GD remota será analisado pela Aneel e pelo ONS


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou reunião na tarde desta sexta-feira, 19 de setembro, para discutir com distribuidoras e Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) como viabilizar o controle da geração distribuída, diante das dificuldades da gestão do sistema com o aumento da geração não controlável.

“De imediato, serão tratados os protocolos referentes às usinas no âmbito de distribuição que não são despachadas pelo ONS. Em seguida, serão tratados os protocolos referentes aos minigeradores remotos”, diz nota publicada pela Aneel após a reunião.

A MegaWhat apurou que o corte físico da GD remota não está na mesa no curto prazo, mas o tema está em discussão pelo entendimento de que será inevitável o curtailment desses empreendimentos, devido ao seu crescimento constante.

A nota publicada pela Aneel lembrou dos eventos registrados nos dias 4 de maio e 10 de agosto, quando o ONS precisou cortar toda a geração renovável centralizada, e mesmo assim quase perdeu o controle sobre a frequência e a tensão do Sistema Interligado Nacional (SIN). A demanda nesses dias foi mais baixa, e chegou a ser totalmente atendida pela micro e minigeração distribuída (MMGD) e por recursos inflexíveis.

O encontro de hoje foi agendado para que as distribuidoras, a Aneel e o ONS pudessem debater “os desafios para viabilizar o controle de geração distribuída, a partir da constatação da necessidade de maior controle de usinas que hoje não é realizado diretamente pelo Operador”.

Usinas tipo 3 e GD remota
Segundo a agência, os cortes da GD remota serão tratados e estudados sob o ponto de vista técnico e regulatório.

Antes, serão estabelecidos protocolos para gestão das chamadas usinas tipo 3, que estão conectadas na rede das distribuidoras, mas não fazem parte do sistema de compensação de créditos da MMGD. O operador está mapeando quais dessas usinas podem ser moduladas ou cortadas no curtíssimo prazo.

Como são usinas conectadas na rede de baixa tensão, é preciso estabelecer um canal entre o ONS, as distribuidoras e as usinas.

Entram nessa categoria cerca de 6 GW de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), 9,6 GW em termelétricas, a maioria a biomassa, e mais de 1 GW em eólicas, além de usinas solares que também não estão no sistema de compensação de créditos e não são enquadradas como MMGD.

A GD remota virá depois, por ser considerado um processo mais complexo para ser resolvido nos próximos seis meses. Segundo dados da Aneel, dos 43 GW instalados em GD atualmente, 9,5 GW são de GD remota, por meio de 702 mil instalações.

Nas próximas semanas, o ONS deve formalizar com a Aneel os procedimentos que entende serem necessários para esse canal com as distribuidoras. A agência deve, então, instruir um processo e sortear um relator, já que devem ser necessárias mudanças na regulação vigente, por meio de resolução.

Conteúdo e imagem por Megawhat.
https://megawhat.energy/regulacao/corte-da-gd-remota-sera-analisado-pela-aneel-e-pelo-ons/

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