As usinas reversíveis surgem como uma solução estratégica para garantir a estabilidade do sistema elétrico e otimizar o uso de fontes renováveis. Essas usinas funcionam como baterias gigantes, armazenando energia quando há excesso de produção e liberando-a nos momentos de maior demanda. Seu funcionamento baseia-se no bombeamento de água de um reservatório inferior para um superior em períodos de baixa necessidade energética.
Durante a Conferência com o tema ‘hidrelétricas e seus reservatórios para a sustentabilidade do Sistema Elétrico Brasileiro, incluindo as Usinas Reversíveis – UHRs’, a Analista de Pesquisa Energética da EPE, Rafaela Pillar, apresentou estudos sobre a instalação de usinas reversíveis e ressaltou que “pela primeira vez uma tecnologia de armazenamento se mostrou competitiva para entrar em uma expansão indicativa”. “Há espaço para soluções de armazenamento no nosso horizonte decimal”, afirmou Rafaela.
Conforme explica Jorge Ribeiro, diretor de mini e microgeração da Associação Brasileira de PCHs e CGHs (ABRAPCH), elas utilizam dois reservatórios de água situados em diferentes altitudes (pelo menos 400 metros de queda) e dois sistemas : turbina (geração) vs bomba (bombeamento). Existem três tipos de UHRS : de ciclo fechado, semiaberto ou aberto. Durante os períodos de baixa demanda de energia, a água é bombeada do reservatório inferior para o superior, armazenando energia potencial.
Nos momentos de pico de consumo, essa água é liberada de volta para o reservatório inferior, passando por turbinas que geram eletricidade. Por essa capacidade de armazenar e liberar energia conforme a necessidade, as UHRs são chamadas de “baterias de água” ou “baterias naturais”. E elas podem ser operadas com 100% de energia hidráulica ou de forma híbrida, com as fontes eólicas e solar bombeando água para o reservatório superior durante o dia. Dependendo de como a usina foi contratada, ela pode funcionar 24 horas por dia ou só em momentos necessários.
Na visão de Ribeiro, o Brasil já está num gargalo de energia e em 2 a 3 anos pode “colapsar”. Diante dos extremos climáticos e do uso crescente de energias intermitentes, a implantação de UHRs no Brasil é urgente para garantir a segurança energética. “Porém mais que quantidade, o importante é ter qualidade, ponta e flexibilidade no fornecimento. E isso as hidrelétricas, incluindo as reversíveis, suprem muito bem”, aponta o especialista.
Com alta capacidade de armazenamento, essas usinas contribuem para a regulação da rede elétrica, especialmente diante do crescimento da energia solar e eólica, que depende de fatores naturais e apresentam produção intermitente. “Diferentemente das baterias químicas, que possuem limitações de capacidade e vida útil, as usinas reversíveis podem operar por mais de 50 anos com eficiência praticamente inalterada, garantindo uma alternativa de longo prazo para a estabilidade energética. Além disso, possuem uma eficiência média entre 70% e 85%”, declarou o diretor administrativo da Abrapch, Ademar Cury.
A sustentabilidade foi outro ponto importante apontado sobre as usinas reversíveis. Ao contrário das hidrelétricas tradicionais, que muitas vezes desativam grandes alagamentos e deslocamento de comunidades, essas usinas podem ser construídas aproveitando reservatórios já existentes ou em locais de baixo impacto ambiental. Além disso, reduz a necessidade de usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis.

Para debater sobre as necessidades das novas hidrelétricas na matriz energética, incluindo usinas reversíveis, estiveram presentes: Antonio Harley Anselmo; José Marques, Diretor Técnico do Comitê Brasileiro de Barragens, Rafaela Pillar, Analista de Pesquisa Energética da EPE, Jorge Ribeiro, Diretor da ABRAPCH, Hans Günther Poll, CEO da Voith Hydro América Latina.
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